Era como se tudo estivesse cinza só pra me ver irritada com a ausência de cores.
Até o vento, que antes eu meio que venerava, agora me irrita com esse sopro agudo e insistente. E o calor que eu me acostumei com muita força de vontade, agora virou chuva e frio (consequentemente um frio úmido diferente do que eu estava acostumada). Até a natureza parece que conspira contra mim.
Eu detesto esse lugar e ele também me detesta.
E não adianta eu me iludir com aquela ideia de "a gente pode se acostumar com tudo" ou de "não seja ingrata, você mora na zona nobre da sua cidade" ou até mesmo: "pare de reclamar porque poderia ser pior". Essas psicologias não funcionam comigo. Eu nunca pedi pra morar aqui e não entendo por que me chamam de ingrata e mal agradecida. Tá certo que eu já me diverti muito algumas vezes, mas nada se compara à minha felicidade antiga. Esta não será facilmente alcançada pelos meus novos amigos, nem pela minha nova casa ou meu novo colégio. Pra falar a verdade, as coisas NUNCA mais voltarão ao normal. Mesmo que a gente volte pra lá daqui a uns cinco anos, fala sério, eu já vou ter me formado, não vou encontrar meus amigos na sala de aula e conversar no recreio. E se depender do meu pai, ele vai morar aqui até ficar bem caquético. Ele está pateticamente adorando isso tudo. Daquele jeito que você gosta tanto ao ponto de achar que todos também devem gostar. Isso é insuportável. Ainda mais pra mim, que detesto essa mudança e não estou nem um pouco disposta a discordar de mim mesma só pra agradar os outros.
Alguém me suicide, por favor.