Não acenda as luzes; eu gosto do escuro. Era na ausência da luz que eu ouvia meu coração dançando naquele ritmo de sempre, sentia o oxigênio entrando nos pulmões e o diferenciava do gás carbônico, saindo. Ouvia e sentia meu corpo; cada movimento, nada passava despercebido. Era no escuro que eu sentia a presença dele se aproximando, centímetro por centímetro. A cada onda de calor que ele emitia ao se movimentar, era um arrepio a mais na minha coleção de sensações. Era como se a minha pele gostasse da dele, a qual sempre era quente. A melhor parte era a sua respiração, tao perto de mim que podíamos competir oxigênio.
Mas aí, chega a pior parte. As luzes se acenderam, e eu abri os olhos. Caí na realidade do meu quarto. Desde então, nunca mais sonhei.